30 de mar de 2008

Secretária bem Sucedida


Foi tudo muito rápido.

A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou.

Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas.

Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas.

Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um MEETING importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?...

- É. Tipo assim, o céu.

- Aquele com querubins voando e coisas do gênero.

- Certamente. Aqui todos vivem em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que houvesse mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? (...)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...

- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?

- DO 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo "EXECUTIVA"?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight.

A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um UPGRADE na produtividade sistêmica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando CRACHÁ . Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?

- Ah, não sabemos.

- HEADCOUNT, então, não deve constar em nenhum versículo, correto?

- HÃ?

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de TARGETS individuais e avaliação de PERFORMANCE.

- Que interessante...

- Depois, mais no médio prazo, assim que os fundamentos estiverem sólidos e o pessoal começar a reclamar da pressão e a ficar estressado, a gente acalma a galera bolando um sistema de STOCK OPTION, com uma campanha motivacional IMPACTANTE, tipo: "O melhor céu da América Latina".

- Fantástico!

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização de um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de LEVERAGE, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista... Ele existe certo?

- Sobre todas as coisas...

- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um DOWNSIZING progressivo, encontrar sinergias HIGH-TECH, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado TELESTÉRICO, por exemplo, me parece extremamente atrativo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um BOARD de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro, coisa assim de salário de seis dígitos e todos os FRINGE BENEFITS e mordomias de praxe.

Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um TURNAROUND radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a IMPLEMENTAÇÃO?

- Não. Significa que você terá um futuro brilhante se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...

De mãe para mãe




"Hoje vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão
contra". a transferência do seu filho, menor infrator, das
dependências da
FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do
Estado. Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu
filho, das
dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como
de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.
Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi
que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação, contam
com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de
direitos humanos.
Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto.
Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu
filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e
as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso
fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para
auxiliar no sustento e educação do resto da família.
Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha,
para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você
ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou
estupidamente num assalto a uma videolocadora, onde ele, meu filho,
trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.
No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo
carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores
no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... Ah!
Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode
ficar tranquila, viu? Que eu estarei pagando de novo, o colchão que
seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem, tá?"".

Deus


Eram aproximadamente 22:00 horas quando um jovem começou a se dirigir para casa.
Sentado no seu carro, ele começou a pedir:
- "Deus! Se ainda falas com as pessoas, fale comigo.
Eu irei ouvi-lo.
Farei tudo para obdecê-lo"
Enquanto dirigia pela rua principal da cidade, ele teve um pensamento muito
estranho:
- "Pare e compre um galão de leite".
Ele balançou a cabeça e falou alto:
- "Deus? É o Senhor?".
Ele não obteve resposta e continuou dirigindo-se para casa.
Porém, novamente, surgiu o pensamento:
- "Compre um galão de leite".
"Muito bem, Deus! No caso de ser o Senhor, eu comprarei o
leite".
Isso não parece ser um teste de obediência muito difícil...
Ele poderia também usar o leite.
O jovem parou, comprou o leite e reiniciou o caminho de casa.
Quando ele passava pela sétima rua, novamente ele sentiu um pedido:
- "Vire naquela rua".
Isso é loucura...
- pensou
- e, passou direto pelo retorno.
Novamente ele sentiu que deveria ter virado na sétima rua.
No retorno seguinte, ele virou e dirigiu-se pela sétima rua.
Meio brincalão ele falou alto
- "Muito bem, Deus. Eu farei".
Ele passou por algumas quadras quando de repente sentiu que devia parar.
Ele brecou e olhou em volta.
Era uma área mista de comércio e residência.
Não era a melhor área, mas também não era a pior da vizinhança.
Os estabelecimentos estavam fechados e a maioria das casas estavam escuras, como
se as pessoas já tivessem ido dormir, exceto uma do outro lado que estava acesa.
Novamente, ele sentiu algo:
- "Vá e dê o leite para as pessoas que estão naquela casa do outro lado da rua".
O jovem olhou a casa.
Ele começou a abrir a porta mas voltou a sentar-se. -" Senhor, isso é loucura.
Como posso ir para uma casa estranha no meio da noite?".
Mais uma vez, ele sentiu que deveria ir e dar o leite. Finalmente,ele abriu a
porta...
- " Muito Bem, Deus, se é o Senhor, eu irei e entregarei o leite àquelas
pessoas.
Se o Senhor quer que eu pareça uma pessoa louca, muito bem.
Eu quero ser obediente.
Acho que isso vai contar para alguma coisa, contudo, se eles não responderem
imediatamente, eu vou embora daqui".
Ele atravessou a rua e tocou a campainha.
Ele pôde ouvir um barulho vindo de dentro, parecido com o choro de uma criança.
A voz de um homem soou alto:
- "Quem está aí? O que você quer?"
A porta abriu-se antes que o jovem pudesse fugir.
Em pé, estava um homem vestido de jeans e camiseta.
Ele tinha um olhar estranho e não parecia feliz em ver um desconhecido em pe na
sua soleira.
- "O que é?".
O jovem entregou-lhe o galão de leite.
- "Comprei isto para vocês".
O homem pegou o leite e correu para dentrofalando alto.
Depois, uma mulher passou pelo corredor carregando o leite e foi para a cozinha.
O homem a seguia segurando nos braços uma criança que chorava.
Lágrimas corriam pela face do homem e, ele começou a falar, meio soluçando:
- "Nós oramos.
Tínhamos muitas contas para pagar este mês e o nosso dinheiro havia acabado.
Não tínhamos mais leite para o nosso bebê.
Apenas orei e pedi a Deus que me mostrasse uma maneira de conseguir leite.
Sua esposa gritou lá da cozinha:
- "Pedi a Deus para mandar um anjo com um pouco de leite...
Você é um anjo?"
O jovem pegou a sua carteira e tirou todo dinheiro que havia nela e colocou-o na
mão do homem.
Ele voltou-se e foi para o carro, enquanto as lágrimas corriam pela sua face.
Ele teve certeza que Deus ainda responde aos verdadeiros pedidos.
Agora, um simples teste para você:
- Se você acredita em Deus, mande esta mensagem para todos os seus amigos,
inclusive para a mesma pessoa que te mandou.
Você tem 24 hs por dia, gaste algumas delas para fazer o bem.
Quanto tempo você leva para parar um pouquinho e ouvir Deus?
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