22 de mai de 2009

UM RAIO "X" SOBRE O CIÚME

Estudos recentes revelam que o ciúme é instintivo e está presente desde os primeiros meses de vida de uma pessoa. Há quem diga que um pouquinho de ciúme não faz mal a ninguém. Alguns até afirmam que ele apimenta um relacionamento. O problema é quando o "pouquinho" perde a medida e vira uma rotina no namoro, casamento, família e até mesmo nas amizades, fazendo com que as pessoas envolvidas sofram por causa disso. O homem praticamente nasce com ciumes. A constatação partiu de uma pesquisa realizada pela Universidade de York, no Canadá, que verificou a presença do ciúme em bebês de três meses, incomodados por se sentirem rejeitados ou não receberem a atenção adequada. Daí a constatação da característica instintiva desse sentimento. De todo modo, e independentemente da idade, ele pouco tem a ver com "o outro". É o ciumento que elabora, imagina, interpreta e sofre. E, pior: uma crise pode incentivar o parceiro - até mesmo o mais fiel - a trair, segundo pesquisa do psicólogo Thiago de Almeida, da Universidade de São Paulo (USP), que entrevistou 899 pessoas - 355 homens e 544 mulheres em São Paulo. O estudo revela que os ciumentos têm mais chances de serem traídos. "O parceiro pode se sentir sufocado pelas cobranças e, de fato, olhar para a pessoa que o enciumado insiste ser uma ameaça", afirma. Ciúme seria um conjunto de emoções desencadeadas por sentimentos de alguma ameaça à estabilidade ou qualidade de um relacionamento íntimo valorizado. As definições de ciúme são muitas, tendo em comum três elementos: 1) ser uma reação frente a uma ameaça percebida; 2) haver um rival real ou imaginário; 3) a reação visa eliminar os riscos da perda do objeto amado. No Brasil, de acordo com Almeida, o ciúme é muito valorizado. "Ele é visto como prova de amor". Pesquisa da Universidade de Sunderland, na Inglaterra, comprova a tese e revela que os brasileiros são os mais ciumentos entre as dez nacionalidades entrevistadas. Ao contrário de nós, os americanos, em segundo no ranking, admitem o sentimento a contragosto. "Numa sociedade que valoriza a auto-suficiência, o ciúme é visto como sinal de fraqueza e dependência", avalia o psiquiatra Eduardo Ferreira Santos, autor do livro Ciúme - o lado amargo do amor (Editora Ágora). "Nos países de influência católica, a idéia do casamento 'eterno' favorece a passionalidade." Alguns trabalhos relacionam o ciúme a características físicas de quem o sente. O mais recente, divulgado no ano passado, revela que homens baixos tendem a ser mais ciumentos que os altos. Pesquisadores das universidades de Valência, na Espanha, e Groningen, na Holanda, entrevistaram 549 homens e mulheres e concluíram que todos os homens admitiram ficar enciumados diante de rivais atraentes, ricos e fortes. Os mais altos, porém, mostraram ter mais confiança. Entre as mulheres, as de altura média são menos ciumentas que as muito altas ou baixas por, segundo os estudiosos, serem mais seguras quanto à fertilidade TIPOS DE CIUMES Ciumento queixoso - é aquele que implora, falando ou em silêncio, o amor que pensa não receber. Usa de agressividade com pitadas de covardia, pois se esmera em ofender dissimuladamente. Sente-se ofendido e frustrado, e é capaz de interpretar um papel, com cena e tudo, para demonstrar sua insatisfação. Ciumento trombudo - introvertidos e desconfiados por natureza, demonstram grande imaturidade afetiva, ficando "de tromba" quando o companheiro não corresponde. Usa o silêncio e a frieza para revidar a não correspondência. Faz greves intermináveis. Sua atitude de fuga o torna um ciumento crônico, pois não se confronta com o motivo que o faz ressentir-se. Ciumento recriminante - com o dedo em riste, este ciumento, meio maníaco, meio paranóico, explica minuciosamente os motivos de suas desconfianças. Se sente prejudicado por não ser amado como gostaria. Acusa e faz vexame em público. Usa frases insultantes, agressivas e são chamados de imperialistas do amor. Não admitem que o seu par seja daquele jeito, que o ame daquela maneira, tem de ser como ele quer. Policia o comportamento e as atitudes do companheiro, e este "coitado" vive eternamente num salto alto. Intimida e usa o ciúme como uma arma para justificar sua agressividade. Ciumento autopunitivo - é o ciumento que se sente infeliz por amar. Inflige-se a própria tortura da desconfiança e se pune se afastando de quem gosta. Dispõe-se a desaparecer se for preciso. Deixa de comer e tenta o suicídio de maneira QUE NÃO MORRA. Cria todas as facilidades para que o outro o traia, para dizer que "a culpa é sua", criando uma armadilha para o outro. Ciumento vingativo - este é da época de Moisés: "- Olho por olho, dente por dente". Pensa: "Me traiu... me aguarde". Se se sente abandonado, restitui o sofrimento que se julga vítima, compete com o par e imagina represálias para punir a quem julga amar. A frase para este ciumento: "Aqui jaz o cadáver do amor". Ciumento Sherlock - finge que não liga para o que acontece fora do relacionamento, seguindo o ditado "O que os olhos não vêem o coração não sente", mas sempre que pode, revira os bolsos da paixão em busca de provas que podem incriminá-lo(a). Ciumento Dupla Face - sua arma é fazer com que todos acreditem que é uma pessoa bastante frágil. Assim, sempre é apontado (a) como uma vítima. Com esse jogo, sensibiliza todos ao seu redor, inclusive a pessoa amada. Ciumento Parabólica - você se desdobra em três, se for preciso, para manter a pessoa que ama sempre ao seu lado. Mas se o ser amado se mostrar indiferente, você começa a acreditar que existe mais alguém no meio, e com certeza vai fazer seu amor passar por maus bocados. Ciumento Relógio de Ponto - marca em cima os horários, os amigos e qualquer passo da pessoa amada. Tenta Ter a vida dela em suas mãos de tal forma que possa controlar, se possível, até seus pensamentos.

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