21 de out de 2009

Um dia de fúria


Penso que muitas pessoas já passaram por isso e que já pensaram em uma vingança...Não sou dada a ataques e muito menos a violência. Até que me considero uma pessoa bem paciente e extremamente bem-humorada. Mas existem certas coisas que me tiram do sério. Na maioria das vezes, falo mentalmente alguns palavrões bem cabeludos, jogo uma maldição de mentirinha, respiro fundo e dou um sorriso tipo "ah, passou". Só que às vezes eu queria muito, mas muito, ter um surto psicótico - só para ver como seria.
Quando penso no assunto, um filme me vem à cabeça: o sensacional "Um Dia de Fúria". Michael Douglas é um americano comum que um belo dia, por causa de uma série de pequenos contratempos, resolve ter um ataque e sai caminhando pelos bairros enquanto traça seu plano maligno contra a sociedade.
Minha cena favorita é a da lanchonete, quando o personagem chega ao balcão e pede um café-da-manhã (coisa comum em fast-foods "no estrangeiro"). A atendente informa que a iguaria só é servida até às 11 da manhã. Ele olha para o relógio e vê que se passaram dois minutos do horário. Daí ele bota uma espingarda no balcão e conta pra mocinha quem é que dita as regras naquele recinto.
Para mim, os alvos de minha fúria já estão certos. Só espero ficar longe deles quando tiver acordado com a pá virada, viu?

O alvo: Cartórios.
O motivo: No começo da semana tive o prazer de pisar em um. Depois da fila e do formulário que precisei preencher, dirigi-me ao caixa para pagar a bagatela de 55,10 reais. "Cheque só com RG", grunhiu a simpática funcionária. Mas meu cheque não foi acento porque "não é da capital" . A gentil senhora rasgou o formulário e me disse para ir logo tirar dinheiro porque o local fechava às 16h. Faltavam dez minutos. Depois de voltar arfando, ela perguntou "você não tem 10 centavos?".
A fúria: Levar o dinheiro em um saquinho de moedas de 5 centavos e começar a contar no balcão. 5, 10, 15, 20... até faltar pouquinho para completar a soma necessária. Daí derrubaria tudo no colo dela, soltaria um "ups" e começaria tudo de novo. Até ela ficar bem brava.
O alvo: Supermercados.
O motivo: Guarda-volume é um termo que não se usa mais em supermercados. Então se você estiver carregando uma mini-sacola com um punhado de jujubas dentro, eles vão pegá-la e enfiá-la num saco gigantesco, 50 vezes maior do que qualquer compra que você tenha feito (a não ser que seja um microondas ou um daqueles ursos de pelúcia coloridos vendidos em cima de um passat). O pior de tudo é que o saco entregue a você não tem alça alguma: é apenas um saco! Então você fica com aquele trombolho só para carregar uma coisinha ridícula dentro. Tudo isso pra comprar a droga do azeite.
A fúria: Desmanchar a pilha de toalhas coloridas da seção Cama, Mesa & Banho, lindamente dobradas e arrumadas de modo que as cores formem um arco-íris. Se alguém vier perguntar, é só dizer "ah, eu queria uma que não tivesse esse fiapinho aqui...".
O alvo: Bancos.
O motivo: Portas anti-metais. Quem foi o chato que inventou isso? Por acaso algum bandido já foi detido por ter de passar com uma AR-15 numa porta daquelas? Aposto que não. Aposto que isso é só para tirar sarro das pobres pessoinhas que são obrigadas a pisar num estabelecimento daqueles. Funciona assim. Você tem que ficar atrás da linha amarela. O guarda manda você entrar. Você entra, a porta trava. O guarda manda você tirar tudo de metal da sua bolsa. Você tira celular, moedas, chaves, e tenta passar. A porta trava de novo. O guarda manda você ficar novamente atrás da linha amarela. Você fica. Você vai. A porta trava. Você tira tudo o que tem da bolsa, e volta para a linha amarela. E assim por diante, infinitamente.
A fúria: Comprar um monte daqueles suquinhos coloridos que vêm embalados em pistolas de plástico. Durante os muitos minutos do processo passa/não passa, ficaria lá, tirando pistolinha por pistolinha, e tomando suquinho. Claro que ofereceria um gole por guarda, né?
O alvo: Padarias.
O motivo: Padaria acha que bala é moeda. Então você espera para receber seu troco, e o funcionário do caixa entrega um punhado de Sete Belo, com a cara mais lavada do mundo. Não sabia que docinhos de quinta tinha lugar na Bolsa de Valores. Qual será o câmbio Juquinha/Dólar? Quanto será que está a bala de iogurte no turismo? E no comercial?
A fúria: Fazer uma compra bem cara, com vinhos e queijos e mortadela italiana e brioches e pagar com balinha! Uma por uma, em cima do balcão. E ainda estabelecer valores por elas. Tipo: Sete Belo é mais comum, então vale 1. Bala-chiclete vale uns 3. Balinha de leite condensado, apesar de grudar no dente, vale um pouquinho mais. É só ir somando.
Ah, como eu queria!
Pegadas no Caminho 



Garotas que dizem Ni

3 comentários:

O Profeta disse...

Corre assombração
Vai para outro mundo numa toada de vento
Afasta de mim este cálice
Deixa-me aprisionar a morte na vida por um momento

Deixa-me sentir com a alegria dos sentidos
Deixa-me acreditar no voo do por-do-sol
Deixa-me beijar as águas de um lago feliz
Deixa-me navegar sem rumo, perder o control



Mágico beijo

Tila disse...

Olá amiga, entendo bem o dia de fúria, até que sou paciente, principalmente com aquelas pessoas humildes, faço até questão de sê-lo, mas já mandei um porteiro praquele lugar! Depois descobri que a culpa não era dele, e sim minha, imagina, fui parar no psiquiatra, nem sabia que estava surtada!!! Isso é real, hj qdo lembro daquele e de outros episódios fico a rir, mas a coisa foi séria, ainda bem que não houve consequência séria. Beijos minha linda!!

Majoli disse...

Soninha, você arrasa em seus posts minha querida.

Este saco que temos que levar por dentro do supermercado realmente é UM SACO, já passei por isso no carrefour.

A porta que trava e você fica um entra e sai apesar de ainda nem ter entrado no banco, dá vontade de berrar uns belos de uns palavrões.

Mas todas as suas furias são de tirar o chapéu.

Parabéns pelo post, adoreiiiii.

Beijos no ♥

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